quarta-feira, 11 de maio de 2016

O Sentimento de despedida

Hoje eu fiquei enrolando. Pensando no aniversário de 2 anos do Estevan, vai se uma comemoração bem pequenininha. Festividade para reunir a família dele. Mas eu gosto de pensar nos detalhes, fazer bonitinho.  Ele também está enrolando. Ou melhor, rolando. Num sono pouco tranquilo. Domingo correu muito mais que o costume. Pode ser que tenha dores musculares. Não sei.

O processo de transição do desespero ao amor foi de muitas lágrimas, de despedidas, mortes. Eu encontrei um texto, escrito em 15 de janeiro de 2013, enquanto eu começava a arrumar meu quarto, para que Estevan, que ainda não tinha sexo, nem nome, coubesse nele também.

"Nunca, arrumar o quarto esteve tão relacionado com arrumar a vida". Sabe, aquelas faxinas gigantes que a gente faz que coloca entulho fora, mudas os móveis de lugar, pois eu acho que elas têm muito haver uma reorganização interna da gente. "E agora não estou apenas arrumando a minha vida, mas estou arrumando um lugar em minha vida para outra vida". Eu que tinha o discurso de que nunca mudaria minha vida por outra pessoa.

"É difícil, eu sinto como se minha vida estivesse sido roubada. Como se aquilo que eu fui um dia fosse tirado de mim, só me restando agora acenar para o passado. Um passado que foi ontem, mas que já parece tão distante.

No meio das arrumações peguei uma pasta com amostras de fotos da minha formatura... Observei em como eu estava gorda, mas pelo menos meu filho vai olhar essas fotos e ver como a mãe era feliz". ERA feliz.  "E aí me dei conta do  sentimento de despedida do passado e de como essa transição para a maternidade está sendo difícil. Do ar de tristeza eu eu tenho carregado comigo". Esse sentimento de despedida continuou em mim por muito tempo, foram despedidas de coisas que se construíram em mais de 30 anos e que morriam aos poucos, para que eu, mulher, filha e mãe, pudesse renascer.

"Eu ainda penso que não quero ser mãe, penso que não queria estar grávida, penso no que poderia estar fazendo agora se tivesse abortado. Não gosto de pensar isso. Queria pensar no meu filho, no nosso amor, na vida, mas eu estou sem chão, completamente sem chão...

Eu sei que vai passar, mesmo com medo que não passe, e que descobriremos o amor!

Acho engraçado, de certa forma estranho, como o pai da criança tem sido significativo no meio da tempestade, de como a presença dele afasta os monstros. Fico pensando que precisei ficar grávida para deixar alguém chegar tão perto de mim."


Foram dias de muitas lágrimas, de insegurança, de um não querer querendo, de um querer não querendo. As conversas com a barriga e com a vida que a li cresciam eram tecidas de afeto e desejo ver o amor nascer... "eu prometo que vou aprender a ser mãe, eu prometo". E levava comigo a certeza de que não carregaria culpa por tudo que foi sentido nos três primeiros meses. Culpa que nunca carreguei, por conseguir compreender aquele momento como processo.