terça-feira, 3 de maio de 2016

Toda mulher deseja ser mãe! Mentira.

Segundo texto e eu vou escrever fora do prazo. Não digo isso porque ao postar terá passado da meia noite. Digo isso porque vou escrever sobre antes de estar grávida. Sobre o desejo de ser mãe.

Toda mulher sonha em ser mãe. Toda mulher nasceu para ser mãe. Uma mulher só se torna mulher de verdade quando se torna mãe.

Mentira! Mentira! Mentira!

Eu nunca tive desses sonhos: Casa, filho, gato, cachorro, marido. Como pode né, viver assim sem esses planos? Pode! Pode sim! Eu era assim. Sem esses planos de procriar e ser feliz.

Mulheres não nascem para ser mãe. Mulheres nascem para ser o que quiserem.
E por mais que, hoje, eu saiba o quanto a maternidade pode despertar o que há de mais incrível dentro da gente, ela é uma das formas de amor, autoconhecimento e cura que podemos viver e não a única forma de ser "mulher de verdade".

Eu não queria ter filhos. "Não dou conta de cuidar nem de mim, como vou cuidar de outra pessoa?".

"Não, eu nunca vou me organizar para ter um filho, se tiver será por acaso." Percebem? O discurso foi mudando. A intenção continuava a mesma: Não ter filhos! Mas, sabemos todos que quem está na chuva, está sujeito a se molhar.

Vida lá, acontecendo. Casa/cortiço/república. Eu costumava dizer que era casa de passagem, havendo vagas sempre se acolhia mais um morador. E, eis que a casa engravidou! Sim! A casa! Engravidou! Uma grávida na casa, a casa engravida. Colega de apartamento grávida. Namorado morando longe. Dúvidas, barriga crescendo. Fiquei grávida junto. Pesquisei sobre alimentação, fraldas, parto. O cardápio da casa mudou. As fumadas na sacada diminuíram. Por mais que eu continuasse da rua, cuidei para estar mais tempo em casa.
Eu não sabia qual seria a decisão da menina, sobre ir ou ficar, mas estava disposta a mudar muito a minha vida para acolher a vida nova que crescia na barriga dela.

"Nossa, que vontade de atacar um homem na rua, fazer um filho e mandar embora". Foi o que falei para minha colega, nesse processo de engravidamento por osmose, numa manhã qualquer, chegando no trabalho. E hoje, quando repito essa frase, borbulha no meu útero a força que ela teve naquele momento.  Escorre uma lágrima de gratidão no canto do olho pela Eveline, por ter aberto as portas da minha alma para maternidade.

Na época foi uma frase solta. Um desejo passageiro. Logo a menina, que aos poucos se tornava mãe, decidiu por ir. Era o último dia do mês de agosto ou primeiro dia do mês de setembro, do ano de 2013.

A casa ficou vazia. Um buraco no coração. Foi bom ver ela se decidir. Ver ela partir. Mas foi triste, ao mesmo tempo.


Uma semana depois um encontro entre um óvulo , meu óvulo, e um espermatozoide vem mudar radicalmente a minha vida. E a primeira coisa que a gestação me ensinou: Não opine sobre aquilo que tu não sabes. Ou tenha empatia o bastante para te colocar no lugar do outro, ou tenha vivido algo parecido, ou não fale nada.